Parte III: A Oração e as Mandalas

Pergunta: Qual é a importância relativa da oração?

Sri Chinmoy: Para um buscador genuíno, que procura Paz, Luz, Deleite e Poder divinos em medida infinita, a oração nunca será tão importante quanto a meditação. Quando oramos, na maior parte do tempo temos a sensação de mendigar. “Ó, Deus, dê-me isto; faça-me aquilo.” Sentimos de forma automática que somos pedintes e que outra pessoa nos concederá nossos pedidos. Um pedinte bate à porta de qualquer um – seja rico ou pobre. Ele não se importa. Ele apenas bate e bate para ganhar dinheiro. Portanto, quanto oramos, somos como pedintes. Oramos a Deus para cá, para lá, olhando para cima, para baixo, ou como for. Não sabemos de que canto ou de que nível Deus irá satisfazer os nossos desejos. Olhamos para cima e clamamos: “Deus, me dê, me dê, me dê!” Há um vasto desfiladeiro entre a existência Dele e a nossa existência.

Se buscarmos em nossas profundezas interiores, veremos um desejo sutil ou grosseiro, que nos instiga a orar. É por uma gota, duas ou três gotas de Compaixão ou Luz ou Paz que estamos orando. Infelizmente, quando oramos, nossa atenção completa fica focada num objeto ou desejo em particular, e sentimos que, se conquistarmos essa coisa pela qual estamos clamando, isso já basta. Portanto, quando a oração é satisfeita, ela cessa. Através da oração, esperamos que Deus nos dê o que queremos e, então, quando Deus dá, quando nossa oração é atendida, paramos de orar. Por alguns meses ou anos deixamos de orar, até que o desejo uma vez mais nos instigue. E então oramos de novo.

Mas meditação é diferente. Na meditação, ficaremos em um certa região divina, onde sentiremos o tempo todo a expansão de nossa consciência. Quanto mais sentimos a expansão de nossa consciência, mais claro fica que Paz, Luz e Deleite estão crescendo dentro de nossa meditação. A própria meditação torna-se o solo fértil onde a supersafra da Paz, Luz e Deleite poderá crescer. Assim como não há fim para a nossa aspiração, também não há fim para a nossa meditação. Lidamos com Eternidade, Infinidade e Imortalidade – portanto, o nosso progresso é constante e, ao mesmo tempo, sem fim.

Quando meditamos, estamos no mar de tranquilidade. Não há ninguém para quem orar, e Deus sente nossa necessidade mais do que podemos imaginar. Ele está sempre presente. Devemos apenas recebê-Lo. Quando meditamos, Deus sente a necessidade de satisfazer a Si mesmo em e através de nós. Na vida espiritual verdadeira, não há comparação entre a meditação e a oração. Há momentos em que iremos orar, mas se formos um buscador verdadeiro, se quisermos realmente ir até a Meta última, para a maioria de nós a meditação é o degrau mais elevado na escada da evolução espiritual. No entanto, se oramos pela satisfação da Vontade de Deus, se oramos pela Sua Vitória divina em e através de nossas vidas, essa oração é muito elevada, poderosa. Muitos dos grandiosos gigantes espirituais do ocidente realizaram Deus através desse tipo de oração.

Sri Chinmoy, Grandes Mestres e os Deuses Cósmicos.Primeira publicação de Agni Press em 1977.

Este é o livro número 344th escrito por Sri Chinmoy desde a sua vinda ao Ocidente, em 1964.

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por Sri Chinmoy
Do livro Grandes Mestres e os Deuses Cósmicos, disponibilizado sob a licença Creative Commons license

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