Parte I — O Guru

1. O Guru

O Guru vê no seu discípulo a própria imagem de Deus; portanto, ele é todo sacrifício para o discípulo. O discípulo vê e sente no seu Guru o único abrigo para suas limitações; então, ele é todo amor para o seu Guru.

O amor do Guru pelo seu discípulo é a sua força. A entrega do discípulo ao seu Guru é a força do discípulo.

O Guru é, ao mesmo tempo, a fonte das conquistas do discípulo e o mais leal servo do amor do discípulo.

O Guru tem apenas uma arma de compaixão: o perdão. O discípulo tem três espadas nuas: limitação, fraqueza e ignorância. Mesmo assim, o Guru vence com grande facilidade.

Alcançar a realização por conta própria e sozinho é como cruzar o oceano num bote. Mas atingir a realização através da Graça de um Guru é como cruzar o oceano num navio forte e veloz, que o transporta com segurança através do mar de ignorância até a Costa Dourada.

Ó discípulo, você sabe quem é o comprador mais tolo da terra? É o seu Guru e apenas o seu Guru. Ele compra a sua ignorância e lhe dá conhecimento; ele compra a sua impotência e lhe dá poder. Pode imaginar barganha mais tola? Agora, aprenda o nome da tolice do seu Guru: compaixão, e nada mais.

2. SEU VERDADEIRO PROFESSOR

Aquele que o inspira
É o seu verdadeiro professor.

Aquele que o ama
É o seu verdadeiro professor.

Aquele que o força
É o seu verdadeiro professor.

Aquele que o aperfeiçoa
É o seu verdadeiro professor.

Aquele que o valoriza
É o seu verdadeiro professor.

3.

O professor humano mostra a você
Como ler.
O divino professor incansavelmente
Lê para você.
O primeiro conduz a sua mente
Ao portal da sabedoria,
O outro abre a sua alma
Para o vasto-céu Azul.

4. O PAPEL DO GURU

Um Mestre espiritual verdadeiro é alguém que alcançou a Deus-realização. Todos nós somos um com Deus, mas o Mestre espiritual verdadeiro estabeleceu sua unicidade consciente com Deus. A qualquer momento, ele pode entrar numa consciência mais elevada e trazer mensagens de Deus para aqueles discípulos que têm fé nele. O Mestre, se genuíno, representa Deus na Terra para aqueles buscadores que têm verdadeira aspiração e fé no Guru. Ele foi autorizado ou encarregado por Deus a ajudá-los. O verdadeiro Professor, o verdadeiro Guru, é o próprio Deus. Mas na Terra, Ele normalmente agirá em e através de um Mestre espiritual. O Mestre energiza o buscador com inspiração e, com o tempo, através da infinita Graça do Supremo, oferece ao buscador a iluminação.

Você se engana quando toma o Mestre como apenas a pessoa, como o corpo humano. Deve sentir que o verdadeiro Mestre está dentro do físico. Por que meus discípulos vêm até mim? É porque seu verdadeiro Mestre, o Supremo, está dentro de mim. O Supremo também está dentro deles, mas neles, Ele está dormente, enquanto que em mim Ele está completamente desperto. O Mestre e o discípulo são como dois amigos que têm a mesma capacidade, mas um está dormindo e precisa de ajuda para acordar antes de poder manifestar sua capacidade. O Guru é alguém que chega, toca os pés de seu irmão e, acariciando sua cabeça, diz “Por favor, levante. Chegou a hora de trabalharmos para nosso Pai.”

Quando um Mestre aceita alguém como discípulo, ele aceita aquela pessoa como parte de si. Se o discípulo é imperfeito, o Mestre também está imperfeito. Na perfeição do discípulo está a perfeição do Mestre. Eu sempre digo que não tenho individualidade nem personalidade. São os feitos dos meus discípulos que me levarão ao Céu ou ao inferno. Eu tenho a capacidade de permanecer o tempo todo no Paraíso, mas eles podem facilmente me arrastar para o inferno a cada momento porque eu os aceitei como parte de mim.

Um verdadeiro Mestre espiritual procura trazer à tona a divindade interior do discípulo do fundo de seu coração. Ele bate à porta-coração do discípulo e desperta a criança divina nele, que nós chamamos de alma. E ele diz à alma: “Você tomará conta dos outros membros da família – o físico, a mente e o vital – e cuidará deles. Eles estão cometendo erros constantemente. Agora, dê-lhes uma nova vida, um novo significado, um novo propósito.”

É trabalho do Mestre espiritual fazer seus discípulos sentirem que, sem amor, sem verdade e luz, a vida é sem sentido e infrutífera. A coisa mais importante que um Mestre espiritual faz por suas crianças espirituais é trazer a eles a percepção consciente de algo vasto e infinito dentro delas mesmas, o qual não é nada menos que o próprio Deus.

A mais elevada Verdade transcendental está dentro de nossos corações, mas desafortunadamente ainda não a descobrimos. Portanto, eu peço aos meus discípulos que vão fundo dentro de si mesmos e meditem no coração, o qual abriga a alma. Por fim, eles aprendem como contatar a alma e começam a ouvir seus ditames. Nessa ocasião, começam a fazer verdadeiro progresso em direção à descoberta de seu mais elevado e profundo Eu.

Se alguém já possui um certo desenvolvimento, ou seja, se já praticava a vida espiritual em encarnações anteriores e está em condições de ouvir o que diz o seu ser interior, não lhe é absolutamente necessário ter um Mestre espiritual. Nesse caso, ele tem apenas de buscar em seu interior profundo e praticar a vida espiritual com toda sinceridade. Como não deseja a ajuda de um Mestre, ele deverá depender completamente de si e da infindável Graça de Deus. Todavia, precisamos lembrar-nos que o caminho espiritual é muito árduo; apenas em raras circunstâncias alguém realizou Deus sem a ajuda de um Mestre espiritual. Os próprios Mestres espirituais, em sua maioria, receberam ajuda de alguém por um dia, um mês, um ano ou dez anos antes de realizarem Deus.

Assim como precisamos de professores para o conhecimento exterior – para iluminar nosso ser exterior – também precisamos de um Mestre espiritual para nos ajudar e nos guiar na vida interior, especialmente no início. Senão, nosso progresso será muito lento e incerto, e poderemos sentir-nos muito confusos. Teremos experiências elevadas, edificadoras, mas não lhes daremos a importância devida. A dúvida poderá eclipsar nossa mente, e diremos: “Sou apenas uma pessoa comum, então como posso ter esse tipo de experiência? Talvez eu esteja me iludindo.” Ou quem sabe contaremos a nossos amigos e eles dirão: “É só uma alucinação mental. Esqueça essa história de vida espiritual.” Mas, se houver alguém que saiba o que a Realidade é, ele dirá: “Não aja como um tolo. As experiências que tem tido são absolutamente reais.” O Mestre encorajará e informará o buscador, e também lhe dará as devidas explicações sobre suas experiências. Igualmente, se o buscador tem feito algo errado em sua meditação, o Mestre está em posição de corrigi-lo.

Porque alguém vai à universidade, se pode estudar em casa? É porque sente que receberá instrução especial de quem conhece bem o assunto. Você bem sabe que existem algumas – ainda que muito, muito poucas – pessoas de verdadeiro conhecimento que não cursaram universidade alguma. Sim, existem as exceções. Toda regra admite exceções. Deus está em todos, e se um buscador sente que não necessita de ajuda humana, será muito bem-vindo para testar sua capacidade sozinho. Mas, se é sábio e deseja correr para sua Meta, ao invés de tropeçar ou simplesmente caminhar, certamente a ajuda de um Guru será considerável.

Digamos que estou em Londres. Sei que Nova York existe e que tenho de voltar para lá. De que preciso para levar-me até lá? De um avião e de um piloto. A despeito de saber que Nova York existe, não posso chegar lá sozinho. Do mesmo modo, você sabe que Deus existe. Você quer alcançar Deus, mas alguém deve levá-lo até lá. Assim como o avião me leva a Nova York, alguém tem de conduzi-lo para a consciência de Deus que está no seu interior profundo. Alguém tem de mostrar-lhe como entrar em sua própria divindade, que é Deus.

Um Mestre espiritual vem a você com um barco. Ele diz, “Vem! Se deseja ir para a Costa Dourada, eu o levarei. Além disto, uma vez no meu barco, você poderá cantar, dançar e até dormir, mas eu o levarei à Meta em segurança.”

Há milênios temos nadado no mar da ignorância. Quando despertamos, queremos cruzar esse mar em direção ao oceano de Luz e Deleite. Se sabemos que há um barqueiro, e que há um barco que pode levar-nos com segurança à nossa meta, naturalmente tentaremos obter sua ajuda. Um Mestre espiritual genuíno sabe o caminho e dedica-se a ajudar-nos a alcançar essa meta. Como um barqueiro, ele nos levará à outra margem.

Se qualquer pessoa ajudá-lo no mundo exterior – seja um advogado ou um médico, por exemplo – ele cobrará. Mas, quando o Guru o leva à sua meta, ele nada toma para si. Você não tem de dar a ele nem um pingo da sua riqueza porque ele tem a sua própria riqueza infinita. Por fim, você perceberá que toda essa riqueza é a mesma. A meta dele, a sua meta, e a meta de todos é a mesma: Paz, Luz e Beatitude infinitas. O Mestre espiritual diz: “Você tem fome. Eu tenho um suprimento infinito do alimento divino que deseja, portanto não preciso tomar nada de você.”

Na vida comum, se as pessoas veem alguém receber ajuda, podem até dizer: “Oh, ele não pôde fazer aquilo sozinho.” Mas a pessoa que está realmente faminta por Deus expressa-se assim: “Não importa quem oferece a comida, pois estou com fome e quero comer agora. Essa é a comida pela qual tenho ansiado durante toda a minha vida, e ele está suprindo-me dela. Enquanto ele alimentar-me com Divindade verdadeira, deixe que eu coma.”

Se você sente que ao aceitar um Mestre estará evitando as próprias responsabilidades, está enganado. Dessa forma estará separando-se do seu Mestre. Aqueles que são meus discípulos muito devotados não se sentem estranhos. Eles sentem sua unicidade comigo, sentem que tenho mais capacidade que eles e, então, identificam sua pouca capacidade com a minha capacidade maior. Quando entram em minha capacidade, sentem que estão entrando em suas próprias capacidades, porque dentro de mim, veem todo o amor e cuidado.

Somente sentindo a sua unicidade com o Mestre é que poderá fazer progresso real. Sentindo-se um estranho ou um intruso no coração do Mestre, ou mesmo pensando ser apenas um convidado, nunca terá sucesso na vida espiritual. Quanto tempo poderá ficar na casa de um amigo como convidado? Apenas alguns dias ou um mês, e então terá de ir embora. Mesmo sentindo que vem como amigo, ainda assim deverá partir. Mas, se sentir que a casa dele é a sua casa, então estará seguro, eternamente seguro.

Quando o discípulo e o Mestre se sentem seguros um no coração do outro, a hora da iniciação está próxima. Quando o Mestre inicia alguém, ele dá à pessoa uma porção de seu alento-vida. Na ocasião da iniciação, o Guru faz uma promessa solene ao buscador e ao Supremo de que dará o melhor de si para ajudar o buscador na sua vida espiritual, que oferecerá seu coração e sua alma para conduzir o discípulo até a mais elevada região do Além. O Mestre diz ao Supremo: “A menos e até que eu tenha levado esta criança até Ti eu não a deixarei, meu jogo não estará terminado.” E ao discípulo: “De agora em diante, pode contar comigo; pode considerar-me como muito seu.”

Na hora da iniciação, o Mestre realmente assume as abundantes imperfeições do discípulo, tanto desta quanto das encarnações passadas. Certamente, há Mestres espirituais verdadeiros e sinceros e, também, os falsos. Aqui, refiro-me aos verdadeiros. Alguns Mestres que são muito sinceros somente iniciam um discípulo por mês. Após a iniciação, ficam doentes e sofrem terrivelmente, porque assumiram verdadeiramente as imperfeições do discípulo. Todavia, existem alguns Mestres espirituais capazes de iniciar muitos discípulos, sem sofrimento, porque têm a capacidade de lançar na Consciência Universal as imperfeições que retiram deles. Mas também há alguns falsos Mestres que iniciam cinquenta, sessenta ou cem discípulos de uma vez, ou que iniciam por procuração. Esse tipo de iniciação em massa é uma grande ilusão.

O Guru pode iniciar o discípulo por vários meios. Pode fazer a iniciação à tradicional maneira indiana, enquanto o discípulo medita. Também pode iniciar enquanto o discípulo dorme ou mesmo em sua consciência normal, mas calmo e tranquilo. O Guru pode iniciar o discípulo simplesmente através dos olhos. Ele olha para o discípulo e imediatamente este é iniciado – mas ninguém fica sabendo. Um Mestre também pode proceder à iniciação física, que é pressionar a cabeça ou o coração ou qualquer parte do corpo do discípulo. Nessa ocasião, ele tenta fazer a consciência física sentir que a iniciação ocorreu. Mas junto com essa ação física, o Guru iniciará o discípulo de uma forma psíquica. O Guru vê e sente a alma do discípulo, agindo sobre ela. A iniciação também pode ser feita através de processos ocultos ou num sonho. Se não houver Mestre espiritual disponível na época, o próprio Deus pode tomar uma forma humana muito luminosa no seu sonho ou durante sua meditação e Ele próprio pode iniciar você. Mas isso é muito raro. Na maioria dos casos, a iniciação é feita por um Mestre.

Meus discípulos não precisam pedir-me para iniciá-los exteriormente, porque eu sei o que é melhor para eles; isto é, eu sei quando ou não a iniciação exterior vai acelerar seu progresso interior. Frequentemente, eu inicio meus discípulos através de meu terceiro olho, que percebo ser o modo mais convincente e efetivo. Muitos já viram meus olhos quando estou em minha consciência mais elevada. Nessas ocasiões, meus olhos humanos tornam-se um com meu terceiro olho. Estes dois olhos comuns então recebem infinita Luz do terceiro olho, e a Luz proveniente dos meus olhos divinamente radiantes entra nos olhos do aspirante. Imediatamente, a Luz entra no corpo todo do aspirante e o permeia da cabeça aos pés. Então, vejo a Luz, a minha própria Luz, a Luz do Supremo, brilhando na ignorância do discípulo, e aquela ignorância oferece sua gratidão. Ela diz: “Agora que me tornei sua, agora que o senhor me fez sua, serei sua para sempre.” Nessa ocasião, torno-me responsável por iluminar a ignorância do discípulo e o discípulo se torna responsável por ajudar-me a manifestar o Supremo na Terra.

Apenas porque eu o iniciei, não significa que poderá iniciar alguém mais. Não é como se eu lhe contasse uma Verdade que agora pode contar a mais alguém. Frequentemente, ouço que um Mestre iniciou alguém, e o discípulo segue iniciando outro, e então este prossegue para outro mais – como descendentes de uma família. Esse tipo de iniciação não tem valor algum. A verdadeira iniciação tem de ser feita por um Mestre Deus-realizado; não pode ser feita por procuração. Se um Mestre tem o poder espiritual de iniciar um discípulo diretamente no plano oculto, não há problema. Mas, se diz que pode iniciar alguém através de um discípulo que ainda é um iniciante, esse tipo de iniciação é um absurdo. Quando pessoas nos Estados Unidos dizem que foram solicitadas a iniciar outras por seu Mestre espiritual na Índia, então não se trata mesmo de iniciação; é só ilusão. A iniciação tem de ser feita diretamente por um Mestre, no plano físico ou nos planos interiores.

Quando o Guru inicia um discípulo, ele o aceita sem reservas e incondicionalmente. Mesmo se o discípulo parte após a iniciação, pensando mal do Guru, o Guru atuará em e através desse discípulo para sempre. O discípulo pode até ir a outro Guru, mas o Guru que o iniciou sempre ajudará aquele buscador no mundo interior. E, se o novo Guru é suficientemente nobre, permitirá que o Guru original aja em e através do discípulo. Embora a conexão física com o Guru original esteja cortada, e fisicamente o Guru não veja o discípulo, espiritualmente ele está fadado a ajudá-lo, pois fez uma promessa ao Supremo.

Mesmo se o discípulo não buscar outro Guru, mas simplesmente sair do caminho da Verdade, ainda assim, seu Guru original tem de manter a promessa. O discípulo pode sair do caminho espiritual por uma encarnação, duas ou mesmo muitas encarnações, mas seu Guru – esteja ele encarnado ou nas regiões superiores – constantemente olha pelo discípulo e espera pela oportunidade de ajudá-lo ativamente, quando ele uma vez mais retornar ao caminho espiritual. Na verdade, o Guru é sinceramente desapegado, mas como fez uma promessa ao discípulo e ao Supremo no discípulo, ele espera indefinidamente por uma oportunidade de conduzir o discípulo para a Meta.

Alguns dos meus discípulos que em algum momento seguiram meu caminho com toda a sinceridade também me deixaram com toda a sinceridade. Mas, se eles são meus discípulos no mundo interior, se eu já os havia aceitado e eles eram meus discípulos verdadeiros, então gostaria de dizer que não os esqueci. Eles podem levar uma, duas, cinco ou seis encarnações para retornarem à vida de aspiração, mas não importa quanto tempo levem, eu os ajudarei nas suas marchas em direção à Deus-realização.

Devido à promessa que fiz à alma do meu discípulo e a Deus, sou mais responsável por meu discípulo do que ele próprio. Mas, quem me permite assumir essa responsabilidade? É o discípulo! Estou à mercê dos meus discípulos. Agora mesmo, Deus é uma ideia vaga para eles, de modo que hoje podem me aceitar e amanhã podem me deixar. No plano exterior, o discípulo pode me deixar, mas, enquanto o Supremo desejar que eu me concentre naquela pessoa e envie Sua Luz para aquela pessoa, eu tenho de fazê-lo. Após deixar nosso caminho, o discípulo pode seguir algum outro caminho ou mesmo nenhum. Mas, uma vez que eu aceite alguém, a menos e até que o Supremo me diga que aquela pessoa está em outras mãos, eu sou responsável por ela.

Eu digo aos meus alunos, “Estou pronto para assumir todos os seus problemas, desde que você esteja pronto para sentir que é por mim e apenas por mim. Se sua dedicação fica dividida aqui e ali, nesse e naquele grupo, e se vem meditar no nosso Centro só de vez em quando, então, mesmo que diga que eu sou o seu Mestre, você me tornou impotente para fazer algo por você. Se verdadeiramente me der a sua completa existência, interior e exterior, somente então poderei fazer algo por você. É na força da minha total unicidade com você e na sua aceitação de mim que eu posso assumir os seus problemas.”

Quando um Mestre da maior grandeza diz que você tem uma relação eterna com ele, ele está falando pela força da sua absoluta unicidade com o Supremo e com a sua alma. Ele sabe que você estará sempre sob sua orientação interior. E quando realizar o Altíssimo, verá que a suprema Consciência que realizou é a mesma Consciência que o Mestre representou na Terra. Um verdadeiro Mestre espiritual incorpora a infinita Consciência do Supremo e a representa na Terra.

Quando o Mestre fala de uma relação eterna, trata-se de uma relação de aceitação mútua. O Mestre não diz, “Quer você esteja consciente disso ou não, eu manterei minha eterna conexão com você e seremos eternamente um.” Não, se o Mestre tem verdadeiramente a capacidade de estabelecer essa eterna relação com o discípulo, então ele também tem a capacidade de fazer o discípulo sentir que ele o fez. O Mestre oferece essa mensagem para a alma do buscador, e o buscador sente que sua conexão interior com seu Mestre durará para sempre. Então, com sua extrema doçura, carinho, compaixão, gratidão e orgulho, o Mestre aceita o discípulo de todo o coração e permanentemente. E o discípulo tem o mesmo sentimento pelo Mestre; ele sente que seu Mestre não é uma entidade separada, mas sim ele mesmo, o próprio discípulo. Ele sente que o mais elevado, o qual chama de Mestre, é sua própria parte mais iluminada. Quando tem esse tipo de sentimento, essa espécie de realização, então a relação eterna entre Mestre e discípulo poderá ter o seu início.

A relação eterna entre o Mestre e o discípulo possui relevância somente no caso de um Mestre realizado. Se o Mestre não é completamente realizado, então está só enganando o discípulo. Há muitos Mestres que não realizaram Deus e ainda assim dizem, “Oh, nós temos uma eterna conexão. Tomarei conta de você, mesmo após eu ter deixado o meu corpo.” Quando esse tipo de Mestre deixa o corpo, o discípulo poderá chamar por seu Mestre constantemente, mas não obterá resposta. Mesmo no plano físico esse tipo de Mestre é sem utilidade. Ele só pode fazer falsas promessas.

O principal objetivo da iniciação é trazer a alma à tona. Se não há iniciação, a purificação do corpo, do vital, da mente e do coração nunca poderá ser completa. Se não há iniciação, a Meta altíssima nunca poderá ser realizada. Os que são próximos de mim sentiram o real florescimento de suas iniciações no momento que, do fundo do coração, dedicaram ao Supremo em mim suas vidas por completo – corpo, vital, mente, coração e alma. Esse florescimento da iniciação é verdadeiramente mais do que iniciação. É a revelação da própria divindade interior dos discípulos. Nesse momento, eles sentem que eles e seu Guru se tornaram totalmente um. Sentem que seu Guru não possui existência sem eles e que eles não têm existência sem seu Guru. O Guru e o discípulo se completam mutuamente e sentem que essa satisfação vem diretamente do Supremo. E o maior segredo que o discípulo aprende do Guru é que somente satisfazendo o Supremo primeiro pode ele trazer plenitude ao resto do mundo.

Como pode o Guru satisfazer ao Supremo? O Guru faz a sua parte assumindo a ignorância, imperfeição, obscuridade, impureza e indisposição do discípulo, conduzindo-as com fé e devotadamente ao Supremo. O discípulo satisfaz ao Supremo permanecendo constantemente no barco do Guru e no mais profundo recesso do coração dele, sentindo que existe somente para a satisfação divina de seu Mestre. Satisfazê-lo, manifestá-lo: essa é a única razão, o único propósito, o único significado da vida do discípulo.

5.

O Guru não é o corpo. O Guru é a revelação e manifestação de um Poder divino sobre a terra.

6.

Encontrar Deus sem um intermediário
Pode não ser impossível,
Mas é certamente a mais ambiciosa
Empreitada montanha-escalada.

7.

Você recebeu alguma ajuda para aprender o alfabeto? Requisitou um professor para ajudá-lo a aprimorar-se em seu instrumento musical? Recebeu instrução para capacitar-se a receber o seu diploma? Se precisou de quem o ajudasse a fazer essas coisas, também não necessitará de um professor que possa guiá-lo no conhecimento do Divino – a sabedoria do Infinito? Esse professor é o seu Guru e ninguém mais.

8.

The Guru and the disciple must test each other sweetly, seriously and perfectly before their mutual acceptance. Otherwise, if they are wrong in their selection, the Guru will have to dance with failure and the disciple with perdition.

9.

O que significa a aceitação do discípulo por um Guru? Significa que o Guru viverá alegremente no mundo de dourado sacrifício.

10.

A suprema iniciação é quando o Mestre diz ao discípulo, “Tome o que eu tenho”, e o discípulo diz ao Mestre, “Tome a mim como eu sou.”

Parte II — Escolhendo um Guru

1. Escolhendo um Guru

Um grande professor inspira
O buscador.

Um grande professor aspira
Em e através do buscador.

Um grande professor sabe
Que, da jornada do buscador,
Ele é a alma
E também a meta.

Há três tipos de professores espirituais. Um diz: “Eu farei tudo por você, minha criança. Nada há para se fazer. Você pode dormir, pode beber, aproveitar a vida vital ou não fazer nada. Permaneça apenas no seu próprio mundo e eu lhe darei realização e libertação. Você não tem de fazer nada.” Seria bom permanecer a milhares de milhas distante desse tipo de Mestre espiritual.

O segundo tipo de professor diz, “Eu disse o que a Verdade é, e tentei inspirá-lo. Eu fiz a minha parte; agora, você tem de trabalhar duro para alcançar a sua meta. Agora deve descobrir a sua própria divindade interior.” Essa espécie de professor não resolve problema algum do discípulo. Esse professor espiritual é fraco, ainda que seja sincero.

E há o terceiro tipo de professor. Em sua absoluta unicidade com o Altíssimo, ele diz ao discípulo, “Minha criança, vamos andar juntos. Você deve aspirar, e eu trarei Graça e Compaixão infinitas do Supremo. Eu tenho a minha própria salvação, mas andarei junto com você e o guiarei. Vamos trabalhar juntos.” Esse é o verdadeiro professor espiritual.

Como pode um aspirante saber se um Mestre que professa ser realizado o é realmente? Um Mestre espiritual Deus-realizado não é alguém com asas e auréola para identificá-lo. Ele é normal, exceto que em sua vida interior ele tem Paz, Luz e Beatitude. Então, se procurar um Mestre espiritual esperando algo diferente de Paz, Luz, Beatitude e Poder sem limites, ficará desapontado. Todavia, deve saber se é capaz de julgar. Se não sei coisa alguma sobre ciência médica, como poderei avaliar um grande médico? Somente outro médico saberia como julgá-lo adequadamente.

Em sua vida espiritual, um buscador verdadeiro que tenha aspiração e dedicação sinceras já alcançou um pouquinho de Luz interior. Devido à sua aspiração, Deus lhe concedeu um tantinho de Luz, e, com esta Luz, ele está fadado a ver e sentir algo em um verdadeiro Mestre espiritual. Se alguém é verdadeiramente avançado na vida espiritual e está fazendo progresso rápido em sua jornada interior, então sua aspiração é o melhor juiz para decidir se um Mestre espiritual é genuíno ou não. O melhor juiz é a aspiração sincera de cada um.

Um Mestre não realizado pode enganá-lo por um dia, um mês ou alguns anos, mas não para sempre. Se a sua aspiração sincera é cem por cento pura, e você não quer nada senão Deus, então Deus não o deixará indefinidamente com um Mestre não-realizado e insincero. É impossível!

Frequentemente aparece quem tenta julgar se o Mestre é perfeito ou não. Mas eles podem facilmente errar. Se o Mestre é genuíno – ou seja, se realizou Deus – o que pode parecer-lhes fraqueza no Mestre não é o que os retardará em sua auto-realização.

As chamadas fraquezas humanas são uma coisa; mas se o Mestre é indulgente quanto ao vital inferior, quanto à vida sexual, então o Mestre é muito ruim, sendo melhor deixá-lo. Se não sente pureza no Mestre, se não vê nele a perfeição da sua vida vital inferior, a vida emocional, então deve manter grande distância dele. Pois como conseguiria dele a perfeição para a sua própria vida vital?

Alguns Mestres são genuinamente realizados, e mesmo assim alguns de seus discípulos os deixam. Mas você acredita que um Mestre não seja realizado só porque algumas pessoas o deixaram? Não, são as imperfeições e limitações dos aspirantes que os afastam de seus Mestres. Alguns atingem um certo ponto e, então, seus egos ou seus vitais vêm à tona e eles não querem mais prosseguir.

Após aceitarem a vida espiritual por dois, seis ou mesmo dez anos, algumas pessoas se cansam. Se alguém se cansa do caminho espiritual, não é necessariamente porque esse seja o Plano do Supremo. Assim, não julgue um Mestre apenas porque muitos o deixam. Muitos partirão, mas muitos outros virão.

Mesmo se um Mestre é genuíno, pode não ser o Mestre escolhido para você. Como poderá saber se encontrou o seu próprio Mestre? É assim: pode haver muita gente à sua volta, mas quando vê uma determinada pessoa, você imediatamente sente alguma alegria. Isso significa que a sua alma tem alguma conexão com essa pessoa. Dez pessoas podem estar bem à sua frente, e por nove delas você nada sente. Mas o rosto de uma pessoa ou sua mera presença lhe trazem alegria. Nesse caso, é porque essa pessoa tem alguma conexão interior com você.

Se há uma conexão interior com um Mestre genuíno, é provável que ela tenha existido por muitas encarnações. Então, no momento que você vê esse Mestre, sente alegria ilimitada e transbordante. Todo o seu ser fica carregado de luz e alegria interiores. Você sente que a sua vida finalmente encontrou sua origem no Mestre. Você sente que é uma folha e o Mestre, a árvore. O Mestre espiritual que lhe traz alegria imediata, espontânea e ilimitada é o seu Mestre. Às vezes, se tiver sorte, poderá encontrar o seu Mestre na primeira vez que vir um Mestre espiritual. De outro modo, poderá ter de ir a vários Mestres espirituais.

Quando encontrar um Mestre cuja simples presença lhe traga imediatamente inspiração, alegria, paz e deleite, então deve fazer a si mesmo a última e absolutamente mais importante pergunta: “Se este Mestre não me der realização, libertação ou qualquer coisa que eu queira, ainda assim estou disposto a dar-lhe meu amor, minha devoção, minha entrega, minha vida?” Se a resposta for: “Sim, eu nada quero dele, exceto a permissão para servi-lo e dar-lhe o que tenho e o que sou”, saberá com certeza que é ele o seu Mestre; certamente ele é o seu Mestre.

Há um ditado, “Quando o aluno está pronto, o professor aparece.” Porém, ocorrem muitas vezes, centenas de vezes, em que o Mestre aparece, o discípulo também está pronto, mas há um véu de ignorância diante do discípulo. Ele não vê a luz, embora a luz esteja bem diante dele. Se o seu próprio professor parar diante de você e abençoá-lo vinte vezes, mesmo assim poderá não o reconhecer. O professor reconhece você, mas ele não pode dizer: “Você é meu aluno”, porque poderá ser mal interpretado. Você poderá pensar, por exemplo: “Eu tenho milhões de dólares. Por isso ele está dizendo que sou seu discípulo. Ele está pedindo-me para ser seu discípulo apenas para pegar meu dinheiro ou isto ou aquilo de mim.”

Neste mundo, apenas quando descobrimos algo por conta própria sentimos que aquilo é verdadeiro. Quando outro alguém descobre algo e nos diz, nós desacreditamos, duvidamos. Se a descoberta de que eu seja o seu Mestre vem de dentro de você mesmo, então você sente que é sua própria descoberta; mas se eu o disser, você pensará ter todo direito de duvidar de mim. Vi muitos buscadores sinceros que estavam destinados a serem meus discípulos e, cedo ou tarde, de fato tornaram-se meus discípulos; mas algo os impedia de me aceitarem naquela época. Dizer-lhes não teria acelerado seu reconhecimento de quem eu sou. Ao contrário, apenas os teria atrasado mais. Assim, fico em silêncio, para que no tempo certo eles possam ter a satisfação da própria descoberta.

Na vida espiritual, há professores que podem instruí-lo por alguns anos e há outros que podem ensiná-lo desde o jardim de infância até os mais avançados cursos universitários. Eles têm a capacidade para alçá-lo aos mais altos níveis. Mesmo que um professor seja sincero, se não tem capacidade para conduzi-lo ao topo, naturalmente você o deixará quando chegar tão longe quanto ele puder levá-lo. Contudo, existem os assim chamados Mestres que não têm capacidade alguma para ensinar, mas que tentarão conservar você próximo o máximo que puderem, apenas para que possam explorá-lo. Todavia, é você quem tem de saber se o professor é capaz de ajudá-lo. O seu ser interior lhe dirá se você está progredindo satisfatoriamente ou não. No momento que sentir que, apesar da sua sinceridade, não está mais progredindo, não perca mais o seu tempo. Você tem todo o direito de deixar o professor à hora que quiser.

Entretanto, o que ocorre algumas vezes é que o professor tem conhecimento verdadeiro, genuíno, mas o aluno não quer apreender a verdade do jeito que o professor quer ensinar – ou melhor, do jeito que o Divino quer que o professor ensine. Com frequência, infelizmente, quando o professor espiritual diz ou desvela a verdade, é mal interpretado pela mente duvidosa do aspirante. O aspirante faz uma pergunta, mas a dúvida na sua mente não lhe permite aceitar a resposta. Então, não importa quão verdadeira, relevante e sublime a resposta possa ser, ela será inútil para o buscador.

Alguns aspirantes mudam de professor quase todo mês. Hoje, este professor, amanhã, aquele, no dia seguinte, algum outro. Eles são extremamente inquietos e nunca alcançarão a iluminação.

Um professor é como um barco. Quando está num barco, fica a salvo. Mas, se tiver uma perna num barco e outra perna em outro barco, então cairá no mar da ignorância. Quando você está sentado com segurança em meu barco ou no barco de algum outro, então o barqueiro é capaz de conduzi-lo à outra margem. Uma vez alcançado o destino, verá que todos os barcos chegaram por diferentes rotas. A meta é uma só, mas os caminhos são muitos. Você não pode mudar constantemente de caminho e esperar ter a mesma velocidade. O buscador deve ser sábio, cuidadoso e discriminador.

Roma é um lugar, porém há muitas estradas para se chegar lá, e cada viajante toma uma estrada diferente. Cada Mestre está certo a seu próprio modo. Mas, uma vez que escolheu um Mestre, você tem de aderir ao caminho dele com total dedicação e entrega. Porque você pode viajar somente por uma estrada de cada vez.

Um Mestre ensina tal coisa, outro Mestre ensina outra e um terceiro Mestre ensina algo completamente diferente. Você pode encarar como diferentes matérias numa escola: história, geografia, filosofia, e assim por diante. Mas eu gostaria de dizer que na vida espiritual há somente uma matéria: Deus-realização. Para este assunto, o mais importante, o mais profundo assunto, você deve seguir um caminho. Se for o caminho da devoção, ótimo. Se for o caminho do conhecimento, ótimo. Se for o caminho do serviço desinteressado, ótimo. Também, poderá abordar todos num só. Quando realizar Deus, todos os caminhos se tornarão um; os três mais importantes caminhos, devoção, conhecimento e serviço desinteressado inevitavelmente se fundem num só.

Não podemos dizer que nosso caminho seja, de longe, o melhor para todos. Não sejamos tolos. Podemos, apenas, dizer que nosso caminho é o caminho do amor, devoção e entrega. Se outros querem aceitá-lo, ótimo. Nosso caminho é o melhor para nós e permanecemos nele porque é o caminho que o Supremo deseja que sigamos. Os outros também têm de encontrar o melhor caminho para si.

O caminho espiritual, a jornada da vida interior, é um processo para toda a vida. Somente se estiver disposto a seguir através desta longa disciplina você encontrará o seu verdadeiro Mestre. Quando estuda, precisa ter seriedade para passar nos exames. Do mesmo modo, deve ter extrema seriedade e sinceridade na vida espiritual. Primeiro busque em seu interior profundo e sinta se quer um Mestre espiritual para guiá-lo pelo resto da vida, e se poderá ouvi-lo totalmente, com todo o coração e incondicionalmente. Se sente que pode seguir um Mestre com fé e devoção e dar a sua vida ao caminho, então o Mestre está fadado a aparecer para você. Se sente que não existe nem pode existir sem a vida espiritual, então tenha certeza de que você está pronto para a vida espiritual. Se sente que não pode continuar na Terra sem paz interior, sem alegria interior, sem a orientação viva de Deus através de um Mestre espiritual – se chegou a este estágio – então está fadado a conseguir um Mestre espiritual em breve.

Não há um único buscador na Terra que fique sem um professor, se estiver desesperadamente necessitado de um. Se sua aspiração é intensa, se seu clamor interior está ascendendo constantemente, como pode Deus permanecer indiferente? Foi Deus quem acendeu a chama da aspiração nesse buscador, e será Deus quem trará um Mestre para ele ou o colocará aos pés de um Mestre espiritual.

2.

Há uma grande diferença entre conhecer o professor e conhecer seus ensinamentos. Seus ensinamentos mostram ao mundo o que ele tem, mas o que ele é, é um outro nome para Visão da Eternidade.

3.

A mente batalhadora de um buscador precisa do caminho certo.
O coração inquiridor de um buscador precisa do professor certo.
A alma aspirante de um buscador precisa do Deus certo.

4.

Não se mate preocupando-se
Com falsos professores.
O seu abrigo-sinceridade o protegerá
E definitivamente também o ajudará
A encontrar um verdadeiro professor.